Terminou em Fátima na sexta-feira, 20 de fevereiro, a primeira parte da 13.ª edição dos Workshops Internacionais de Turismo Religioso (IWRT, o acrónimo em inglês), iniciativa organizada e promovida pela ACISO – Associação Empresarial Ourém-Fátima, com um vasto grupo de entidades parceiras.
Os Workshops internacionais terão continuação na segunda-feira 23 de fevereiro na Guarda. Até lá os operadores internacionais que ficam por Portugal participam em post-tours por Ourém-Fátima, Alentejo, Centro de Portugal, Lisboa e Médio Tejo. Nos dias 25 e 26 os operadores participam na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market.
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Nesta que foi a 13ª edição dos IWRT em Fátima participaram 132 Buyers internacionais, 136 Suppliers e 41 expositores, num total de representantes provenientes de 42 países e 35 mercados emissores. Nas palavras do presidente da ACISO, Pedro Mafra, “estes números consolidam a ideia deste encontro como uma referência internacional no setor do Turismo Religioso”.
Em dois dias, realizaram-se mais de 5.200 reuniões B2B, uma oportunidade de, também nas palavras de Pedro Mafra, “promover parcerias estratégicas e definir futuros fluxos turísticos para Portugal”.
A manhã inaugural incluiu a Sessão Oficial de Abertura e os momentos Destino Convidado – a Lituânia – e Conferência, este ano dedicada ao tema «Os Lugares de Fé: Memória, Espiritualidade e Experiência do Peregrino», por Marco Daniel Duarte, historiador de arte e diretor do Museu do Santuário de Fátima.
De seguida foram feitas duas apresentações de projetos: "A herança viva da Virgem Maria no Egito através da Rota da Sagrada Família", pela investigadora e colaboradora da Igreja Ortodoxa Copta na Rota da Sagrada Família Jolit Shaker, e o "1º Foro Iberoamericano de Ciudades Marianas", por Hugo Sartor, do Município de Lujan|Argentina.
Esta manhã, como habitual, teve participação mais alargada. Além dos participantes profissionais, isto é, operadores turísticos, agentes de viagens, entidades institucionais públicas e privadas do sector do Turismo e do Turismo Religioso acima contabilizados, participaram estudantes, investigadores e outros interessados no evento, num total de cerca de cinco centenas de pessoas.
Apesar de os dados estatísticos serem de relevo, por confirmarem a grande dimensão do evento, Pedro Mafra destacou na sessão inaugural que “mais importante do que os números, é o impacto que geram: impacto económico, impacto promocional e impacto na criação de relações de longo prazo entre destinos e operadores turísticos”.
Portugal resiliente diante de grandes desafios
Num momento de grandes desafios a nível global para a sociedade e economia portuguesas, causados sobretudo pela tempestade Kristin e sucessivas intempéries que deixaram um rasto de destruição um pouco por todo o país, as entidades e responsáveis deixaram uma mensagem de esperança, por acreditarem que o território irá reerguer-se graças ao esforço conjunto.
“A realidade não se esconde. Mas o que importa sublinhar é a resposta. (…) A resiliência territorial não pode depender apenas do esforço local. Tem de ser assumida como prioridade nacional e este workshop deve ser um espaço para discutir estes temas com frontalidade”, disse Luís Miguel Albuquerque, presidente da autarquia de Ourém.
“Hoje, pouco a pouco, estamos a reerguer-nos. Este processo tem sido possível graças ao trabalho incansável do Município de Ourém, da Proteção Civil, das forças de segurança e socorro, dos funcionários municipais e de toda a população que, de forma solidária, se mobilizou para apoiar quem mais precisava”, disse Pedro Mafra, presidente da ACISO.
Também na abertura oficial, o reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, lembrou que, apesar de 2025 ter sido um ano de crescimento no número de peregrinos e visitantes, os recentes fenómenos meteorológicos obrigam a um esforço conjunto para minimizar impactos na atividade turística da região. “Cabe-nos – cada uma das entidades na sua área específica de ação – procurar minimizar esse impacto. Cabe-nos procurar que o turismo religioso seja motor de recuperação desta área atingida”, disse.
Rui Ventura, presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro e da Agência Regional de Promoção Turística, também deixou sobre os desafios uma nota de superação: “O Centro já superou incêndios devastadores. Já superou a tempestade Leslie. Voltará a superar este momento. Porque temos resiliência. E temos visão estratégica”.
Foi também pelas intempéries que começou Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal, no seu discurso aos participantes dos XIII IWRT: “Ainda é cedo para ter uma noção precisa dos danos e dos riscos”. Disse ainda esperar que “os apoios já definidos cheguem rapidamente à economia e que aos poucos se consiga voltar a uma desejada normalidade”.
“Esperamos que o Turismo e em particular o sucesso deste Workshop Internacional de Turismo Religioso nos ajudem a ultrapassar e a recuperar este momento de dificuldade”, foram os votos de Manuel Jorge Valamatos, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.
“Estamos ativamente solidários com as comunidades, os autarcas e as empresas. no trabalho que é necessário realizarmos para ultrapassar os problemas que se enfrentam e regressar com a maior brevidade possível à normalidade”, afirmou Teresa Ferreira, diretora do Departamento de Dinamização dos Recursos Turísticos do Turismo de Portugal.
O Turismo Religioso em Portugal
O presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros, destacou em termos turísticos globais o crescimento do mercado sul-coreano em Portugal, “em grande parte graças ao voo direto entre a capital sul-coreana, Seul, e Lisboa”, e referiu outros importantes mercados em crescimento como os dos Estados Unidos, China e Japão. “Para acelerar a atividade turística e garantir um crescimento verdadeiramente sustentável, temos de continuar a atrair turistas com maior poder de compra, dispostos a pagar preços mais elevados, com experiências diferenciadoras, autênticas e de elevada qualidade”, defendeu.
Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, vincou que além de produto turístico estratégico, o Turismo Religioso “é um fator claro de coesão territorial”.
Rui Ventura, presidente da entidade regional de Turismo do Centro, relembrou que “o Plano Regional de Desenvolvimento Turístico identifica o Turismo Espiritual e Religioso como um dos cinco pilares estruturantes da nossa região”.
“O Turismo é um fator de coesão da nossa região, porque mobiliza muitas realidades distintas, mas a principal realidade são sem dúvida as pessoas. São aos cidadãos que vivem nesta região que são o principal ativo turístico que nós temos; a sua realidade, a sua história, cultura, a dinâmica das suas comunidades”, referiu Jorge Brandão, vogal da Comissão Diretiva do Programa Regional do Centro.
Fátima, destino global
O Presidente da ACISO sublinhou ainda a centralidade de Fátima enquanto destino global. Destacou que em 2025 o Santuário de Fátima, em dados anunciados recentemente pela instituição, acolheu cerca de 6,5 milhões de peregrinos. “Fátima continua a afirmar-se como um destino global”, disse Pedro Mafra.
Vários outros intervenientes na sessão inaugural falaram do papel de Fátima enquanto destino de referência internacional, ao salientar a sua capacidade de acolhimento, organização e inovação na oferta turística. Foi igualmente destacada a relevância da cooperação internacional, considerada essencial para fortalecer redes de parceria e criar novas oportunidades de negócio.
“Fátima é um ativo global. É um dos maiores centros de peregrinação do mundo. Recebe visitantes de todos os continentes, durante todo o ano. É destino, mas é também porta de entrada. Porta de entrada para o Médio Tejo, para o Centro de Portugal, para o interior, para a nossa diversidade cultural e paisagística”, disse Rui Ventura.
“Fátima e o Turismo Religioso representam um papel central nesta estratégia de promoção”, disse Manuel Jorge Valamatos, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, apontando o sentido do crescimento deste produto e o valor de Fátima como “produto intermunicipal de excelência”. “Fátima representa mais de 75% do Turismo na nossa região. Quando o Turismo cresce em Fátima, cresce obviamente no Médio Tejo”, disse.
IWRT, espaço privilegiado de encontro e plataforma de diálogo entre mercados
Com esta décima terceira edição os Workshops Internacionais de Turismo Religioso voltaram a afirmar-se como um espaço privilegiado de encontro entre fé, património, cultura e negócio, reforçando o papel de Fátima como destino internacional de peregrinação e como plataforma de diálogo entre mercados.
Este ano o destino convidado do evento foi a Lituânia, representada por várias entidades oficiais e religiosas, encabeçadas pela vice-presidente da Comissão Europeia de Turismo e representante do Ministério da Economia e Inovação, República da Lituânia Lidija Bajarūnienė, que, sob o lema «Terra de Esperança, Misericórdia e Fé Viva»,deram a conhecer o país e os principais destinos e eventos religiosos.
“Quero igualmente destacar a presença da Lituânia como Destino Convidado. A sua participação reforça o carácter internacional deste evento e o diálogo entre destinos que partilham valores, história e espiritualidade”, referiu o presidente da ACISO, Pedro Mafra.
O Reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, felicitou os promotores do evento e reforçou a importância da cooperação institucional. Na sua intervenção, anunciou ainda uma novidade: o lançamento do Certificado do Peregrino de Fátima, a apresentar por ocasião do Dia Nacional do Peregrino, a 13 de outubro, iniciativa que pretende promover e valorizar a prática da peregrinação e os Caminhos de Fátima.
Vários outros intervenientes na sessão inaugural referiram a importância dos IWRT. Para Rui Ventura, o evento internacional “é hoje a maior bolsa de contatos mundial dedicada ao turismo religioso”, e “um espaço de reflexão sobre algo que não cabe apenas nas estatísticas: a espiritualidade, a memória e o sentido da viagem”, isto porque “Fátima é um ativo global”.
Francisco Calheiros, presidente da Confederação de Turismo de Portugal, vincou que as previsões continuam a apontar para o crescimento do Turismo Religioso, um mercado que “faz movimentar milhares de turistas em Portugal, tendo uma grande influência na economia regional, na criação de empregos, nomeadamente na hotelaria e restauração, mas também em outros sectores”, continuando, por isso, a ter “uma influência muito positiva nos dados gerais do crescimento da atividade em Portugal”.
“Portugal é o sexto país mais seguro do mundo. Queremos continuar a fazer esse caminho”, disse o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, “Fátima e este workshop darão, também, o seu contributo”, neste posicionamento global do país. Pedro Machado evidenciou ainda “dimensão económica” deste evento internacional ao sublinhar “que os buyers e suppliers participantes traduzem-se em mais de 5 mil milhões” de visitantes/turistas. Em termos de mercados destacou o mercado asiático a crescer, e a intenção da aposta em mercados como os Estados Unidos da América, Canadá e Brasil.
Na sua saudação, Jorge Brandão, vogal da Comissão Diretiva do Programa Regional do Centro, Deixou “uma palavra de apreço a todas as entidades envolvidas neste evento, que reputamos da maior importância para o sector do Turismo na nossa região”.
O presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Albuquerque, também considerou que “ao longo de mais de uma década, este Workshop consolidou-se como ponto de encontro entre destinos, operadores e decisores que entendem o Turismo Religioso como uma realidade estrutural da economia global do turismo”.
Teresa Ferreira, diretora do Departamento de Dinamização dos Recursos Turísticos do Turismo de Portugal, considera que o Workshop de Turismo Religioso assume três dimensões muito relevantes: “A primeira dimensão, o foco: é desenhado para proporcionar o negócio à escala internacional. (…) A segunda, o produto: tem contribuído muito particularmente para o enriquecimento do conceito do produto de turismo religioso, que é igualmente espiritual e cultural. (…) A terceira, o crescimento; tem crescido nas parcerias com as várias regiões turísticas, assumindo-se como um grande evento âncora nacional de promoção e venda da oferta turística junto dos mercados internacionais”.
Guarda acolhe a segunda parte dos XIII IWRT a 23 de fevereiro
A Guarda acolhe esta segunda-feira a segunda parte dos Workshops Internacionais do Turismo religioso, uma vertente especialmente dedicada no turismo de herança judaica. Entre visitas/tours à região e reuniões B2B o evento mantém na Guarda os seus objetivos gerais de fomentar uma Bolsa de Contactos de negócios entre os participantes; promover Portugal como destino privilegiado em Turismo Religioso e reforçar a relevância do Turismo Religioso no contexto do setor turístico mundial.
Na sessão de abertura dos XIII IWRT, no dia 19 de fevereiro em Fátima, a vereadora da Câmara Municipal da Guarda, Cláudia Guedes, com base no tema geral do evento - «Os Lugares de Fé: Memória, Espiritualidade e Experiência do Peregrino» - referiu que “Os lugares de fé são pontes entre o visível e o invisível. A memória é o fio que liga gerações. A espiritualidade é a força que impulsiona a busca humana por significado. E a experiência do peregrino é a expressão concreta dessa busca.”
A vereadora destacou ainda a importância da realização dos IWRT, como possibilidade de “espaço de encontro fecundo — onde pensamento, investigação e experiência se unam para fortalecer os caminhos da fé, da memória e da espiritualidade no nosso tempo”.
22 de fevereiro de 2026
Imagens ao lado:
Sessão Oficial de Abertura
Pedro Mafra, presidente da ACISO
e dois dos momentos B2B